Amigo Animal

Entrevista Adriano dos Santos

09 Fevereiro 2018 07:00:00

É claro que a internet é uma ferramenta poderosa de informação, um avanço da Tecnologia de Informática sem retorno, naturalmente. E pensar que até há bem pouco tempo vivíamos sem ela. Como era possível? Bem, foi. E isto tudo será obsoleto em breve... e segue dama.

Mas também a internet pode criar mitos, além de provocar transtorno pelo seu mau uso. Entre os mitos que se criam na internet há um grande número relacionado a animais. Pets ou não. Cães milagrosamente dóceis da noite para o dia. Animais selvagens vivendo como gente etc.

Produtos e serviços para adestramento não menos milagrosos surgem aos montes. Cirurgias em cordas vocais para o cão não latir, exageros em roupas e a famosa coleira eletrônica (educação pra inglês ver). As pessoas acabam ficando confusas ou acomodadas em relação aos cuidados com seus animais e até com as possibilidades de se ter um animal etc.

Sobre a coleira eletrônica e essas outras questões fomos perguntar a um respeitado adestrador, Adriano dos Santos, quanto à eficiência dessas coisas. Adriano é um estudioso (com vários cursos de alto nível) do comportamento animal e, principalmente do relacionamento homem/animal. Em muitas das vezes, o relacionamento pode não ser tão bom. Via de regra, a culpa não é do animal.

Marcos Moreno- Qual é a eficiência, indicação e contraindicação para o uso da coleira eletrônica? 

Adriano dos Santos- A coleira eletrônica é um instrumento como outro qualquer, que vem conquistando adeptos, pois é a evolução do treinamento com cães. Seria como uma guia tradicional, só que invisível e funciona como um controle remoto, para controlar e modelar comportamentos à distância, ou sem tocar no cão. É contraindicada a todos (profissionais ou não) que não têm habilidades para manuseá-la. Assim como toda ferramenta de trabalho, se bem utilizada traz benefícios, mas o mau uso pode trazer traumas ou não ter o resultado esperado. O problema não é a ferramenta, e sim quem está por trás do manuseio da mesma. Há no mercado uma oferta de várias marcas e modelos, algumas de procedência e qualidade duvidosas. Vale a pena pesquisar antes de adquirir uma coleira eletrônica. Vai da consciência de cada um.

Marcos- O que você pensa sobre a cirurgia nas cordas vocais?

Adriano- Os latidos dos cães são uma forma de se comunicarem e se expressarem com seus semelhantes e conosco. Nós, humanos, nos falamos (nome que deram à nossa vocalização) e os cães latem. Os latidos podem expressar ansiedade, excitação, medo, stress, tédio, desconforto, etc. Fazer uma cirurgia das cordas vocais (cordectomia) é uma mutilação desnecessária e covarde. Se não quer latidos, eduque-os ou não os tenha. Os pets devem ser uma companhia e não um problema.

Marcos- O que é mais forte, a maneira de se criar ou a genética de um cão, como o rottweiler, por exemplo?

Adriano- A criação é importante, mas antes dela o cãozinho já veio com sua bagagem genética (que é imutável). Então, temos que nos preocupar com o seu temperamento (personalidade), que é adquirido geneticamente. A educação será apenas para melhorar ou não a sua índole. Portanto, não é a raça e nem como se cria, mas o indivíduo.

Marcos- Cães da mesma raça podem ter temperamentos diferentes?

Adriano- Sim e devem. Porque se não houvesse as diferenças, não teria harmonia em grupos, bandos ou matilhas. É através das diferenças de temperamento entre indivíduos que se tem a colaboração, os conflitos e apaziguamentos.

Marcos- Um Pit Bull pode ser um cão de apartamento?

Adriano- Todos os cães podem viver em apartamentos (espaços pequenos). O que não pode (isso vale para todos os cães, independente de raças, tamanhos, idades e sexo) é negligenciarmos as necessidades básicas dos nossos pets, como água, comida, conforto (proteção contra frio, calor, parasitas e ectoparasitas) exercícios diários físicos e mentais. Leve-o para cheirar o mundo lá fora, ele será feliz, equilibrado e agradecido. "Cão cansado, cão feliz".

Marcos- Quanto à alimentação, devemos procurar habituar cães e gatos a comer verduras?

Adriano- Os cães evoluíram vivendo com os humanos, portanto já são considerados onívoros. Se o cão gostar, sem problemas em conhecer novos sabores. O que não podemos é oferecer tais alimentos, como frutas, verduras e outros para impor nossos valores étnicos ou morais, mudando a sua natureza que é carnívora, em sua essência.

Marcos- Por que os cães estão vivendo mais tempo? 

Adriano- As pessoas estão mudando seus conceitos em ter um animal de estimação. Antes, o cão era apenas um guardião (proteger quintais, depósitos, fábricas, etc) ou um bibelô para mostrar status. Hoje, são membros da família e, com isso, as pessoas passaram a se preocupar com a saúde de seus cães, dando-lhes melhores rações e levando-os ao veterinário regularmente. EducaCão!

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