'DAS LEIS MORAIS'

21 Janeiro 2018 07:00:00

Maria Helena Peppe

A Lei Natural é a lei de Deus. É a única verdadeira para a felicidade do homem. Indica-lhe o que deve fazer ou deixar de fazer e ele só é infeliz quando dela se afasta. É eterna e imutável como Deus.

As Leis Naturais dizem respeito, especialmente, ao homem considerado em si mesmo e nas suas relações com Deus e com seus semelhantes. Contêm as regras da vida do corpo bem como as da vida da alma: são as "leis morais".

Em todos os tempos houve homens que tiveram a missão de revelar a Lei de Deus. São Espíritos Superiores que encarnam com o fim de fazer progredir a Humanidade. Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral que a Humanidade pode aspirar na Terra.

A Lei de Adoração consiste na elevação do pensamento a Deus. É um sentimento inato. A consciência de sua fraqueza leva o homem a curvar-se diante daquele que o pode proteger. A adoração verdadeira está no coração, não nas manifestações exteriores. Nenhum mérito têm os que se consagram à vida contemplativa, porquanto, se não fazem o mal, também não fazem o bem e são inúteis. Não fazer o bem já é um mal. Deus quer que o homem pense n'Ele, mas não quer que só n'Ele pense, pois lhe impôs deveres a cumprir na Terra. O homem foi feito para viver em sociedade. O Criador não lhe deu, inutilmente, a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação. Por instinto os homens buscam a sociedade e todos devem concorrer para o progresso, auxiliando-se mutuamente. No insulamento, ele se embrutece e estiola.

O "estado de natureza" é o estado primitivo, é a infância da Humanidade, é o ponto de partida do seu desenvolvimento intelectual e moral. Sendo perfectível, o homem não foi destinado a viver, perpetuamente, no "estado de natureza". Este estado é transitório para o homem, que dele sai por virtude do progresso e da civilização. A Lei Natural rege a Humanidade inteira e o homem se melhora à medida que melhor a compreende e pratica.

O primeiro de todos os direitos naturais do homem é o de "viver". Por isso é que ninguém tem o direito de atentar contra a vida do seu semelhante. Ao de viver tem o homem o direito de acumular bens, pelo trabalho honesto, que lhe permita repousar quando não mais possa trabalhar. O que ele adquire, honestamente, sem prejuízo de outrem, constitui legítima propriedade sua, um direito tão sagrado quanto o de trabalhar e viver. Toda ocupação "útil" é um trabalho. Este é um meio de aperfeiçoamento da inteligência; é por ele que o homem provê a sua existência; é o ponto de partida, o elemento real do bem-estar, o penhor da segurança de todos.

À vida se junta o instinto de "conservação", instinto que sustenta os seres em suas provas, sem que disso se apercebam. É a voz íntima que os induz a repelir a morte, lhes diz que ainda podem realizar alguma coisa em seu próprio bem. Condenando-se a pedir esmola, o homem se degrada física e moralmente; embrutece-se. Uma sociedade que se baseie na "justiça" deve assegurar a existência dos que não podem trabalhar, sem lhes deixar a vida à mercê do acaso e da boa vontade de alguns. Efetivamente, o critério da verdadeira justiça está em querer cada um, para os outros, o que para si mesmo quereria. Dar esmola não merece reprovação, mas sim a "maneira" por que, habitualmente, é dada. A pessoa que compreende a caridade de acordo com Jesus, vai ao encontro do infeliz sem esperar que este lhe estenda a mão. A verdadeira caridade está tanto no "ato" como na "maneira" por que é praticada; se for por ostentação, o benefício perde, inteiramente, o mérito. "Ignore a sua mão esquerda o que a direita der".

O sentido da palavra "caridade", como entendia Jesus, é Benevolência para com todos, Indulgência para as imperfeições dos outros, Perdão das ofensas. No cotidiano nos deparamos com situações que nos põem à prova a nossa conduta. São os olhares de desprezo e inveja; as palavras que ferem, humilham, magoam; as indelicadezas que ofendem. Enfim, seja qual for a gravidade do ato infeliz que nos atinja, enxerguemos o outro que nos fere e magoa, como alguém que pode estar enfermo e precisando de ajuda. É certo que ficamos tristes quando alguém nos ofende, mas o que deveria mesmo nos entristecer é quando somos nós os ofensores. Trabalhar o perdão ao próximo é um exercício diário que podemos nos propor. Todos nós somos capazes de perdoar. Muitas vezes nós é que queremos ser perdoados. Perdoar, também, é doar, pois estaremos dando entendimento, paciência, compreensão. Perdoar acalma, liberta, traz paz e harmonia à nossa vida. Jesus também disse: "Amai mesmo os vossos inimigos". Não pretendia Ele, assim falando, que cada um de nós tenha para com seu inimigo a ternura que dispensa a um irmão ou amigo. Amar os inimigos é não lhes guardar ódio nem rancor, nem desejos de vingança; é não opor nenhum obstáculo à reconciliação com eles; é experimentar júbilo, em vez de pesar, com o bem que lhes advenha; socorrê-los em se apresentando ocasião. Finalmente, respeitarmos todos os direitos que aos nossos semelhantes dão as Leis da Natureza, como queremos que sejam respeitados os nossos.

Não ficam, assim, enumeradas todas as qualidades que devemos nos esforçar para adquirir, mas aqueles que se empenham por possuir as que acabamos de mencionar, no caminho se acham que a todas as outras conduz.

(instruções dos Livros Doutrinários)

MARIA HELENA PEPPE

Professora aposentada