Em cada esquina...

21 Janeiro 2018 07:00:00

Arahilda Gomes Alves

Se você parar diante de um computa...a dor, "pescará", nas muitas páginas, tantas frases reflexivas, que em sã inveja pensaria que elas poderiam ter surgido, antes, da sua imaginação. Mesmo, porque, há tanta gente "escrevinhadora "enfeitando a flor do lácio, romântica e bela... Fizeram torcida para que nossa poeta Lygia Fagundes Telles fosse há tempo, a escolhida para o Nobel de Literatura, mas em julgamento inusitado, premiaram o cantor-compositor Bob Dylan por suas criações poéticas diferenciadas.

Se pudéssemos fazer parte do seleto julgamento em Estocolmo, nossos compositores sairiam escolhidos pelas imagens criativas. Sílvio Caldas e Orestes Barbosa ganhariam medalha com essa frase: "mas a lua furando nosso zinco/Salpicava de estrelas, nosso chão". De Newton Teixeira: ... "Espelhos da minha mágoa /Meus olhos são poças d'agua/Transporta o céu para o chão". "A felicidade é como a pluma/ Que o vento vai levando pelo ar/Voa tão leve, mas tem a vida breve/Precisa que haja vento sem parar". Escreveram-na Vinícius e Tom Jobim. Lembram-se da Amélia, a mulher de verdade, de Ataulfo e Mario Lago? O - Amigo, de Roberto e Erasmo Carlos?

Ainda na memória "Eu quero a rosa mais linda que houver/E a primeira estrela que vier/...Eu quero a paz de criança dormindo/E o abandono de flores se abrindo. "Composta e interpretada por Dolores Duram. Aquarela do Brasil, de Ari Barroso grita de patriotismo. O perfume das rosas que Cartola plantou roubando o perfume da amada!

A voz do violão, do cantor Francisco Alves ecoa na madrugada: ...Porém, neste abandono interminável/No espinho de tão negra solidão/Eu tenho um companheiro inseparável/Na voz do meu plangente violão. Já - Os cabelos cor de prata - de Silvio Caldas: "Meus cabelos cor de prata/São beijos de serenata/Que a lua mandou pra mim/Os meu cabelos grisalhos/São pingos brancos de orvalho/de um tinteiro de nanquim...

Vandré, Taiguara e outros tantos foram exilados pelas composições censuradas de regime repressivo, que passou ecoando sons de baionetas e canhões. Hoje, as músicas de Gonzaguinha, Gil, Caetano, Raul Seixas e autores de "protesto "ecoam sem alarde e com liberdade.

Mas se o governo de hoje vem com a ideia impensada de abolir o ensino da Filosofia, não mais ensinando o povo a pensar, a Educação física, que faz da 'mente sã em corpo são' e a Arte incluindo o Canto em coro, como formaremos gerações de um povo sensível com direito a expor o que pensa, diz e age? Verdade que o desgoverno de hoje é sinônimo de corrupção e temos nós, o povo, de nos sacrificarmos começando pelo exemplo dos que governam o país, principalmente os 'palacianos'.

Voltando à liberdade de expressão relembremos o desencantado Geraldo Vandré exilado no Chile,hoje,octogenário e afastado das lides sonoras quando sua pena criativa deixou para a posteridade a canção do exilio, que não é a de Gonçalves Dias, mas a que traz o título romântico: Pra não dizer que não falei das flores, (com todos seus espinhos)..."Pelos campos, a fome/em grandes plantações/Pelas ruas marchando/precisos cordões/Inda fazem da flor/seu mais forte refrão/E acreditam nas flores/Vencendo o canhão".

Mas as letras que fazem sucesso, nos dias transcorridos, mostram uma geração de alienados. E podem ser jogadas nas lixeiras dos computadores, porque envergonham os apreciadores da ética e da moral. Sucumbem na lixeira da memória.

Aos escritores de cada esquina criem poemas, na homologação do equilíbrio e da paz deste Brasil que cantava versos cheios de civismo e de fé por uma pátria-mãe antes honrada!

Arahilda Gomes Alves - Cadeira 33 ALTM; membro Academia Poetas Portugueses e Academia Letras e Artes Portugal; cônsul Poetas Del Mundo; Academia Internacional do Brasil; diretora cofundadora Fórum Articulistas de Uberaba e Região. Partícipe Rede Sem Fronteiras; sócia Poemas à Flor da Pele. Escreve crônicas no JU desde 1993.