Opinião — 13 fevereiro 2012 - ás 8:49

Trabalho, poesia da vida 2
O Dia do Trabalho será, assim, comemorado sob ideologias antagônicas, nas duas grandes nações. New York festejará, em meio ao incrível rumor de suas ruas, a vitória das suas grandes organizações bancárias e industriais que assombram e avassalam o mundo, se bem que, para a grande nação do Norte, continue em equação esse problema do Século XX – os sem-trabalho… ao passo que os Sovietes farão desfilar pela Praça Vermelha, diante do túmulo de Lenine, as tropas bem aguerridas do Exército Vermelho, sob aplausos frenéticos de milhões de camaradas de ambos os sexos e todas as raças. E muito possivelmente as comemorações se prolongarão por mais dois dias, como aconteceu ano atrasado, em regozijo de haverem os operários das usinas realizado o plano qüinqüenal na metade do tempo previsto.
O Brasil está entre New York e Moscou. A educação sentimental da nossa gente não lhe admite ver no trabalho uma simples “mercadoria”, fenômeno ianque a que os pensadores da sociologia chamaram “desumanização” do trabalho (em virtude do que “o trabalho passou a ser um apêndice da máquina e não mais uma capacidade humana”). Por outro lado, o Brasil não se pode inclinar também para a direção russa porque é absurda a doutrina marxista do nivelamento obrigatório, utopia igualitária de teoristas.
Há, todavia, um conceito de igualdade que seria capaz, se possível de ser praticado, de entusiasmar o escrevinhador destas linhas. É o pensamento, que transcende séculos de cultura, de Tawney: “Igualdade não significa ausência de violentos contrastes de renda e situação, mas iguais oportunidades a todos de se tornarem desiguais”.
Aí, sim. Aí reside a verdade. Porque a desigualdade é da própria natureza humana, em perpétua mudança. Ser desigual é uma ambição legítima do homem que trabalha. O que se faz mister é que a todos se dêem oportunidades iguais. E o mérito será recompensado. E o valor emergirá da massa dos incapazes. Porque, com a igualdade de recursos para a luta, os fortes se desigualarão, distinguindo-se, selecionando-se. E o predomínio do mais apto é condição precípua de progresso.
Keyserling esteve na América do Sul. E notou , por estas bandas, o aparecimento de “uma forma de civilização que vai suceder a civilização técnica norte-americana em que os valores espirituais voltarão a ter a mais completa ascendência”.
Antes assim. O espírito sabe distribuir justiça. Porque não possui as impurezas da matéria. Não envelhece e nem se gasta. Eterno como o tempo e grande como o infinito, o seu reinado assinala sempre a vitória da razão.
Sob o seu domínio, far-se-á o amparo às classes far-se-á o amparo às classes proletárias “humanizando-se” o trabalho e salvaguardando-se os seus direitos diante do avanço capitalista.
O Brasil foi um dos motivos da afirmativa de Keyserling. Porque há em nós a dose necessária de espiritualismo para o levantamento de uma civilização onde a técnica se irmane ao braço, a máquina se identifique ao homem, e Capital e Trabalho, de MÃOS DADAS, PROSSIGAM NA FAINA DE CRIAR MUNDO PARA A GLORIFICAÇÃO DOS HOMENS.

Adauto Francisco do Amaral é contabilista, Bel. em ciências jurídicas, administrador hospitalar e universitário, supervisor de estágio e professor

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Carla

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