Aumento demagógico é problema
Esta movimentação das polícias em vários Estados, em greve, motins, ou seja lá que nome se queira dar a estes atos de homens armados, nos deixa uma lição: política não pode ser tratada como brincadeira, como instrumento de demagogia. E foi por pura demagogia que se chegou a esta PEC300 uma aberração patrocinada pelo deputado paulista Arnaldo Faria de Sá, do PTB.
A justificativa da emenda está sustentada por outro ato demagógico e, para ser suave, inconsequente, do ex-presidente Lula que concedeu aumentos com índices absurdos aos policiais do Distrito Federal, pagos com recursos da União em 2006 e 2008, inspirando Faria de Sá a propor que os salários de Brasília fossem transformados em piso nacional para militares e bombeiros militares.
O ex-presidente Lula não pode nem usar em sua defesa que agiu para corrigir possíveis injustiças com policiais brasilienses. Tinha plena consciência de que estava agindo de forma imprudente, tanto que, em 2009, levou a então pré-candidata Dilma a uma solenidade onde foi histericamente homenageado pelos policiais de Brasília. E ele ainda brincou com seu então aliado, governador Arruda, dizendo: “Nós corremos um risco, viu, Arruda? Porque, a partir do que aconteceu em Brasília, vamos ter outros Estados querendo”.
Alguém poderia duvidar de que isto realmente aconteceria. Nem ele duvidou tanto que, na sequência do discurso tratou de transferir o problema para outros governantes anunciando que os demais estados só poderiam fazer o mesmo que fez em Brasília, com a continuidade do crescimento econômico. Inocente ele não é para pensar que alguém ia mesmo esperar melhores condiçóes para reivindicar.
Não quero aqui discutir quanto deve ganhar um militar. Questiono apenas a forma como isto foi tratado em sua origem. Que há distorções salariais nos diferentes níveis de governo, em todas as atividades, ninguém pode negar. É um problema histórico que, no entanto, não pode ser corrigido de uma vez, e ainda mais com demagogia. Nada mais sem propósito do quê criaçáo de pisos nacionais de salário. É tratar igualmente Estados com situações tão díspares. Disse bem o presidente da Câmara, Marco Maia. Questão salarial de servidores estaduais é mesmo para ser tratado nos estados, náo no Congresso. Então que se vote logo, que se rejeite esta PEC 300 que serviu apenas para criar expectativas infundadas numa categoria que, como as demais, merece ser tratada com respeito. Que se traga para os Estados a discussão. Servidores e autoridades à mesa discutindo com seriedade o assunto, partindo do princípio, de um lado, que os salários precisam ser melhorados, e de outro que os Estados têm limitações financeiras. Eles não produzem receita. Simplesmente arrecadam a parte que lhes cabe naquilo que a sociedade produz.
Que seja um diálogo franco e honesto, sem falácias de lado a lado e sem argumentos do tipo usado por uma liderança dos oficiais da PM do Distrito Federal de quê os policiais precisam ganhar bem para não serem adotados pelos criminosos. Nem precisa perguntar, como fez, qual seria a opção da sociedade diante desta situação. A opção é clara: punição para quem se deixar corromper, estendida àqueles que admitem a hipótese de isto ocorrer.
Paulo Cesar de Oliveira – jornalista e diretor-geral da revista Viver Brasil
























